Dia Internacional das Mulheres

21 03 2010

Adicionei para a minha lista de coincidências significativas o fato que na véspera do dia oito (dia internacional das mulheres)  Kathryn Bigelow foi a primeira mulher a ganhar o prêmio mais fálico do cinema internacional : o Oscar de melhor diretora. E o fez com um filme cuja temática é surpreendentemente masculina: Guerra ao Terror.

O filme de Kathryn Bigelow porém não se trata de um filme sobre guerra , na verdade a diretora fala sobre homens, ou melhor, fala mal de homens ( típico da mulheres).

Já no início Kathryn facilita as coisas para os neurônios lentos e pouco sofisticados do público masculino resumindo com uma frase no centro da tela o que pretende com o filme: “ War is a drug”, em português “ Guerra é uma droga (ou a Guerra é um vício).

No final do filme, após muitas cenas onde homens bebem muito, brincam de lutinha e correm riscos desnecessários surge na tela a sexy symbol Evangeline Lilly ( A Kate do seriado Lost).

Evangeline, em interpretações nada sensuais, incorpora uma mãe de família em um casamento falido cuja principal participação, em minha opinião, se dá na cena em que ela define, com apenas uma olhar, o marido militar: “Você é um lixo”, disse eloqüentemente sem falar uma só palavra.

Na verdade, Guerra ao Terror é um filme que não só fala mal dos homens mas também da cultura mesquinha que nós ( homens – pais e mulheres – mães) produzimos. Nada mais atual se levarmos em conta que, por exemplo, devido aos, culturalmente aceitos, abortos e assassinatos em série de meninas recém nascidas na China e em outros 12 países do oriente, a proporção de nascimentos de meninas e meninos está em 100 meninas para 120 meninos o que provoca uma superprodução de homens solteiros que segundo analistas de alguma forma se correlacionariam com o aumento da criminalidade, seqüestro de noivas, estupros e prostituição nesses países. Tempos ruins não só para as mulheres.

Já aqui no Brasil as coisas são “diferentes”, as mulheres morrem iguais a todo mundo: de atropelamento mesmo, sem discriminação (Na guerra do Vietnã morreram 40 mil americanos em 10 anos, no Brasil morreram 42 mil pessoas em acidentes de trânsito só no ano de 2007).

Aliás, outra coincidência ocorreu no dia oito ( essa triste). Uma conhecida minha morreu atropelada em Botafogo com apenas vinte e quatro anos de vida.

Mulher negra e moradora do bairro da Lapa tinha o sonho de ser advogada, sendo que nesse ano começava a realizá-lo pois havia se tornado universitária a apenas uma semana. Ainda estava pintada de trote quando morreu.

Até o fechamento da reportagem que li no “O Dia online” sobre o acidente, os pais, moradores do morro Dona Marta, não foram localizados e a polícia ainda investigava se o motorista acelerou propositalmente. De qualquer forma, por acidente ou não, o fato é que o motorista nem sequer teve o “cavalheirismo” de parar para socorrer a vítima. Tempos ruins para todos nós.

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: