Faroeste Conjugal

2 02 2011

Um pequeno barraco de madeira escura erguia-se corajosamente contra o sol carrasco daquele dia contrastando com a palidez do solo seco que o cercava. Sob aquele teto uma bela mulher de face endurecida pela vida difícil de mãe solteira em terras tão hostis preparava zelosamente o almoço para seu único filho que tinha saído em busca de algum trabalho, quando um barulho chamou sua atenção.

Ouviu o ranger da porta se abrindo e rapidamente puxou de um suporte abaixo da mesa um velho rifle que foi do seu pai nos idos tempos em que servia à milícia local, engatilhou-a e a apontou para a entrada da cozinha:

– QUEM ESTÁ AI?

Parando calmamente e sacando um cigarro e uma caixa de fósforos o homem trajado como se estivesse há muito tempo na estrada, cumprimentou-a levantando rapidamente o chapéu após levar o cigarro à boca, e disse:

– Não reconhece o pai do seu filho? Somente a minha Tibíla teria coragem suficiente para apontar uma arma para um dos homens mais procurados dessa cidade – disse apoiando-se jocosamente na lateral da porta examinando-a dos pés a cabeça, enquanto enterrava todo o afeto que um dia teve por aquela bela mulher de cabelos cor de pólvora.

Tibíla era uma parede de pedra prestes a desmoronar:

– O que você quer? Porque não desaparece de uma vez? – Uma lágrima desceu de seu olho esquerdo e foi rapidamente limpa com uma das mãos, a voz evidenciava um desespero contido.

– Eu vim buscar uma coisa que te dei há muitos anos atrás – respondeu o homem em tom grave.

– Deixe-o em paz! – disse Tibíla exaltando-se e pensando em seu filho.

– Acalme-se.

– NÃO! – gritou Tibíla apertando o gatilho.

Mas o esforço da valente mulher foi em vão, pois, com seu reflexo de víbora, o homem sacou sua pistola e abriu um buraco na testa dela, permitindo apenas que a bala do rifle fizesse uma abertura do tamanho de uma laranja no teto.

A aba do chapéu quase conseguiu ocultar um projeto de lágrima que surgiu em seus olhos, porém não conseguiu conter o alívio de saber que ainda era o pistoleiro mais rápido da região, ou pelo menos o mais sortudo.

por Leonardo Ribeiro

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11 02 2011
gabriella

Creeeeeeeeeedo

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