História de Garoa

22 12 2013

chuva

Imaginem uma densidade de mais de sete mil pessoas por quilômetro quadrado fumando, amando, odiando, comendo, comprando e trabalhando, trabalhando, trabalhando.

Nesta cidade de grande densidade, disseram-me que existiu alguém que foi para as pessoas que conheceu como a garoa que passa: a princípio, caso não tenha um guarda-chuva, é preciso proteger-se, mas não muito; com o tempo se a garoa persiste por muitos dias acostuma-se com ela e quando finalmente esse incômodo cessa, mal se percebe. Mas as vezes em dias muito quentes ou quando o ar está muito sujo e abafado e se precisa de garoa pois é preciso respirar … ela cai soberba como bem sabe, pois a garoa nunca é rancorosa e mais uma vez foi capaz de renunciar a sua única chance de vingança. E alguém, vez ou outra, para de fumar, amar, odiar, comer, comprar, trabalhar, trabalhar, trabalhar e  joga fora o guarda-chuva e se esbalda de rua.

Soube também que ainda era madrugada quando os primeiros riscos de tinta a spray cortaram o muro e que vez ou outra a luz vermelha ou o barulho da sirene fazia o artista esgueirar-se para as sombras. E na manhã seguinte no Ônibus expresso lotado, abafado e quente que passou por ali alguém que olhava pela janela viu um muro diferente e respirou…

Por Leonardo Ribeiro

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: