O Último Trem

15 07 2015

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Crônica inspirada na música “trem das sete” do Raul Seixas. Foto de Diário do Rio.
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Em 2043 quando finalmente fracassou o discurso ecológico podia-se ver estampado no céu fumegante a derrota da saga humana. Nele se via algo indescritível como explosões de mil megatons pálidos e sem aurora.

– Rápido! Corra! Não vê? – alguém gritou.

Porém,  Leon parou na estação e continuou esperando impacientemente como de costume. Riscou as horas por puro hábito, mesmo já sabendo que ter pressa não faria mais sentido.

Ainda teve tempo de tentar se lembrar quando foi a última vez que viu um céu azul de verdade. Não conseguiu.

Em outro lugar, enquanto o Cristo lá do alto do morro despencava arrebatado pelo cataclisma pestilento, a onda perfeita finalmente se elevou num colosso sobre o arpoador deserto.

Algumas horas depois, longe da praia, o moribundo e ardente trem de Japeri, pela última vez, chegava na Central sem freio vertendo cólera sobre o concreto. E com apenas 13 minutos de atraso, trazia o rugível monte de cinzas do velho Leon.

Por Leonardo Ribeiro
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